SABIA QUE CERCA DE UM TERÇO DA POPULAÇÃO SOFRE DE PROBLEMAS DE VOZ?

 

Segundo a Academia Americana de Otorrinolaringologia (AAO-HNSF), cerca de um terço da população mundial apresenta, apresentou ou apresentará algum distúrbio nas cordas vocais ao longo da vida. Os indivíduos mais afetados por esta problemática são os chamados profissionais da voz, ou seja, aqueles que utilizam a voz como “instrumento de trabalho” (cantores, professores, operadores de telemarkting, comerciantes, etc.).

Enquanto Terapeutas da Fala, percebemos cada vez mais pessoas com algum tipo de distúrbio vocal e que não são, necessariamente, profissionais da voz. É facto que, por falta de conhecimento, muitos indivíduos desvalorizam os primeiros sinais de alerta, podendo muitas vezes sofrer consequências irreversíveis. É essencial haver uma consciencialização da população para esta problemática e uma sensibilização para a procura de ajuda profissional.

 

Afinal, o que é a voz?

Quando o ar, que sai pelos pulmões, passa pela laringe, faz vibrar as cordas vocais e é produzido um som. Este som é, posteriormente, amplificado pelas cavidades de ressonância (laringe, faringe, boca e nariz) e alterado pelos articuladores (lábios, língua e mandíbula), criando aquilo a que chamamos de voz humana.

 

O que se se entende por disfonia?

Sempre que existe algum tipo de dificuldade ou perturbação que impeça a produção natural da voz, dizemos estar perante uma perturbação vocal ou disfonia. É possível dividir as disfonias em três tipos:

  • Disfonia funcional: quando a perturbação se apresenta como resultado de maus comportamentos vocais ou mesmo como efeito de um distúrbio psicológico e/ou emocional;
  • Disfonia orgânica: quando a perturbação vocal não é fruto do uso que é feito da voz, mas sim resultado de uma lesão neurológica, estrutural ou funcional que impede as cordas vocais de vibrar (como por exemplo, nódulos, tumores, paralisias das cordas vocais ou laringites);
  • Disfonia orgânico-funcional: quando ocorre uma mistura das duas anteriores, isto é, quando estamos perante lesões nas estruturas envolvidas que são consequência de um mau comportamento vocal.

 

Quais são as causas da disfonia?

Como já falado anteriormente, para além das lesões nas estruturas envolventes na produção da voz, existem causas de natureza funcional que contribuem para o aparecimento de uma disfonia, nomeadamente:

  • mau uso vocal: quando é feito diariamente um uso intenso da voz sem que se mantenham os cuidados necessários (ex.: falar muito, falar alto, falar rápido);
  • abuso vocal: quando é feito um uso abusivo e violento da voz (ex.: gritar, sussurrar, pigarrear, imitar vozes);
  • inadaptações vocais: quando ocorre uma falha na adaptação das estruturas envolvidas na produção da voz (ex.: fendas glóticas, assimetria das cordas vocais, desequilíbrio entre o tamanho da laringe e as cavidades de ressonância);
  • causas psicogénicas: quando a disfonia é resultado de alterações causadas por emoções (como a ansiedade, o medo ou a raiva) e/ou perturbações do estado psicológico.

 

Que sintomas estão na origem de uma disfonia?

Apesar de muita gente associar o termo disfonia apenas à rouquidão, este quadro vai muito para lá dessa característica, apresentando outros sinais como:

  • Afonia, que se caracteriza por ausência de som na voz;
  • Voz soprada, que é percebida como sensação de ar na voz;
  • Dificuldades/falhas ao projetar a voz;
  • Falta de ar e/ ou cansaço vocal;
  • Engasgos frequentes, incluindo com saliva;
  • Sensação de garganta seca;
  • Esforço e/ ou dor ao produzir voz;
  • Dificuldades em modelar a voz, nomeadamente na variação da intensidade (forte e fraca) e da frequência (grave e aguda).

 

Existe tratamento para a disfonia?

De facto, existe e, para tratar uma disfonia deve, inicialmente, recorrer-se a um Otorrinolaringologista, que realiza uma avaliação otorrinolaringológica detalhada e, caso seja necessário, prescreve um tratamento medicamentoso e/ou cirúrgico. Igualmente importante é procurar um Terapeuta da Fala, que avalia e intervém na função vocal com exercícios específicos e na adoção de hábitos de saúde vocal.

Um trabalho de equipa entre estes dois profissionais é de extrema importância. Através da Terapia da Fala é, muitas vezes, possível melhorar e/ou reverter a perturbação vocal sem que seja necessária uma intervenção cirúrgica e/ou medicamentosa. Nos casos em que a disfonia apresente uma patologia associada que requeira a intervenção do médico Otorrinolaringologista, é essencial reforçar o papel do Terapeuta da Fala no que toca a mudar hábitos e adequar comportamentos, contribuindo para uma recuperação mais rápida e eficaz.

Para além destas duas especialidades, pode ainda ser necessária a intervenção outros profissionais como Psicólogos, Psiquiatras e/ou Gastroenterologistas. Também nestes casos o trabalho de equipa entre os múltiplos profissionais é fundamental.

 

Sempre que uma disfonia permanecer por mais de dez dias, é essencial procurar ajuda de um profissional de Terapia da Fala ou de Otorrinolaringologia!

 

Quais os cuidados a ter com a voz?

A voz é um elemento muito importante no dia-a-dia do ser humano e é vista por muitos como o maior símbolo de individualidade, revelando-se primordial na comunicação de pensamentos, ideias e emoções. Assim sendo, independentemente de apresentar ou não alguma disfonia, existem alguns cuidados que todos devem ter no sentido de promover a saúde vocal, nomeadamente: 

  • Não fazer uso de tabaco, drogas e álcool;
  • Evitar locais poluídos e expor-se a agentes poluentes;
  • Preservar-se do uso de ar-condicionado;
  • Beber cerca de 1,5L de água por dia;
  • Não gritar;
  • Não falar muito rápido;
  • Evitar bebidas gaseificadas e com cafeina;
  • Evitar doces;
  • Evitar falar durante o exercício físico;
  • Evitar cantar sem técnica;
  • Não usar roupa apertada;
  • Evitar tossir e pigarrear (quando sentir vontade de tossir ou pigarrear, inspirar pelo nariz e engolir saliva várias vezes ou água, ajuda);
  • Se fizer muito uso da voz, procurar um Terapeuta da Fala para obter aconselhamento sobre como manter uma saúde vocal adequada.